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terça-feira, 20 de novembro de 2007

TCHEKA

Tcheka no São Jorge
Tcheka no São Jorge - clique na imagem para ver um pequeno filme


No sábado passado vi Tcheka tocar pela segunda vez, desta feita no Cinema São Jorge, local mais adequado para a sua música que vai procurando novos carreiros na cena caboverdiana e internacional. Apresentando o terceiro álbum, de nome "Longi" (com Lenine a produzir, e como se nota o dedo do brasileiro!) e acompanhado por Lúcio Vieira no baixo, Marcos Alves na percussão e, em dois temas, também por Ruben Alves no acordeón, o músico provou como a simplicidade basta para haver bela música.
Confesso que dias antes tinha ido ao Coliseu ver Seu Jorge e que saí de lá antes do final, esmagado por tantos elementos em palco a soterrar a voz do brasileiro. Que chatice!
Bom, mas voltando a Tcheka e à sua simplicidade, esta vê-se na abordagem humilde ao português, no branco e alinhado sorriso com que apresentou a sua negra mãe presente na audiência, e nas histórias quotidianas que conta nas músicas envolvidas no rendilhar percutido da guitarra.
De "Argui", passando por "Nu Monda" até este "Longi", Tcheka evoluíu sempre, e muito, e este é sem dúvida o seu melhor registo.
Para ver hoje na nova Fnac de Alfragide às 1830h e 2100h (Via Crónicas da Terra)

domingo, 12 de agosto de 2007

ENFIM LURA

Clique na seta play para ver o slideshow

Numa ligeira pausa nas férias a tratar de embelezar e tornar confortável a casa nova (quem biu, biu, quem não biu tibesse bisto o post que tirei) fui até ao Algarve numa surtida rapidíssima para ver finalmente Lura ao vivo. Na verdade tinha presenciado o concerto que Tcheka deu o ano passado no África Festival onde ela participou num tema, mas várias circunstâncias me tinham impossibilitado de ver antes a sua energia em palco, de rir com a sua simpatia genuína e de (desengonçado claro) dançar o ritmo do funaná. Lura é um animal de palco e os temas que canta também puxam naturalmente pelo público. A mim ficou-me especialmente na memória a lindíssima versão de "Batuku", em que Lura começou apenas percutindo a "tchabeta" e se foram juntando aos poucos os outros instrumentos. O espírito do sempre inspirador Orlando Pantera esteve naquele momento a pairar na Senhora da Rocha.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

KORA + CONTRABAIXO




Rachiim Ausar Sahu e Ibrahim Galissa, Trem Azul Jazz Store, 14 de Dezembro de 2006 / Fotos: Luís Filipe Catarino

Só andava à espera do pretexto para aqui colocar umas fotos deste memorável concerto. E ele surgiu: o mestre de kora Ibrahim Galissa, nascido na Guiné Bissau e o (também, sem dúvida) mestre do contrabaixo Rachiim Ausar Sahu, americano, vão-se juntar de novo hoje em forma de "African Reunion Duo" no Trem Azul, na Rua do Alecrim, às 19.30h (5€).
Em Dezembro foi um concerto de antologia e de magia, que me deixou surpreso perante tão improvável encontro de dois dos meus instrumentos preferidos. Foi um dos grandes concertos do ano passado, e se o de hoje fôr tão bom como o de então, por certo constará novamente na lista dos melhores de 2007.
Mais-que-amigo Costa: infelizmente não posso ir, mas espero que o próximo pretexto seja o do lançamento de um disco deste duo excepcional.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

CONCERTOS MEMORÁVEIS




Tinariwen, Cinema São Jorge, Lisboa, 5 de Julho de 2007 / Fotos: Luís Filipe Catarino

Esta semana rica em concertos (hoje há Rodrigo Leão na Torre de Belém), deixou performances memoráveis para todos os gostos. Para o meu, a de ontem dos Tinariwen e a de terça dos Arcade Fire foram do outro mundo.

Os tuaregues malianos e suas fervilhantes guitarras eléctricas electrificaram (ficou bem esta...) as centenas que encheram o cinema São Jorge, transformado em gigante tenda no meio do deserto ali à beira Parque-Meyer. Nem o calor sufocante faltou, já que o ar condicionado está avariado vai para dois anos... Se os blues nasceram em África e foram para a América, fizeram a viagem de volta a casa com muitos watts na bagagem e recriaram-se no Mali. Estes Tinariwen são hipnotizantes e não nos deixam um único músculo em paz apesar de só saberem dizer "merci". Mas de que interessavam as palavras?

No SuperBock SuperRock vi esta recente descoberta (sim, não conhecia) chamada Arcade Fire, e testemunhei o seu poder pleno de energia e versatilidade. Pareceu-me que eles próprios ficaram espantados com o público e a forma abnegada com que a multidão os seguia. Forte, muito forte. Fica aqui "No cars go" para perceberem.


sexta-feira, 29 de junho de 2007

MAYRA ANDRADE


Mayra Andrade ao vivo no África Festival, Lisboa, 28 de Junho de 2007 / Foto: Luís Filipe Catarino

Foi bom. Apesar de não ser o local mais indicado para um concerto deste tipo, e do baixista ter estragado o tema "Lua" com um solo completamente despropositado, Mayra soube espalhar a sua presença e simpatia pelo palco ao lado da Torre de Belém. Cantou apenas uma música que não vem no álbum "Navega" mas o concerto durou hora e meia. Ela prometeu que voltava em breve. Digo eu: talvez numa sala que propicie mais o intimismo.

quarta-feira, 28 de março de 2007

A PONTE PARA LENINE



Ponte Vasco da Gama, Lisboa, 20 de Março de 2007 / Foto: Luís Filipe Catarino

Hoje espero sobrevoar a ponte de novo e quando voltar, aterrar no concerto que Lenine vai dar no Tivoli às 22.00h. Ando há anos para arranjar uma oportunidade de ver ao vivo um dos meus cantores brasileiros preferidos.

Há uns meses Lenine deu uma entrevista muito interessante na TSF. Ouvir aqui.

A PONTE

Como é que faz pra lavar a roupa?
Vai na fonte, vai na fonte
Como é que faz pra raiar o dia?
No horizonte, no horizonte
Este lugar é uma maravilha
Mas como é que faz pra sair da ilha?
Pela ponte, pela ponte

A ponte não é de concreto, não é de ferro
Não é de cimento
A ponte é até onde vai o meu pensamento
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento

A ponte nem tem que sair do lugar
Aponte pra onde quiser
A ponte é o abraço do braço do mar
Com a mão da maré
A ponte não é para ir nem pra voltar
A ponte é somente pra atravessar
Caminhar sobre as águas desse momento

Nagô, nagô, na Golden Gate
Entreguei-te
Meu peito jorrando meu leite
Mas no retrato-postal fiz um bilhete
No primeiro avião mandei-te
Coração dilacerado
De lá pra cá sem pernoite
De passaporte rasgado
Sem ter nada que me ajeite
Coqueiros varam varandas no Empire State
Aceite
Minha canção hemisférica
A minha voz na voz da América
Cantei-te
Amei-te